Altair Stofela explica a redução sem corte de salário e destaca apoio de Lula à conquista histórica da classe trabalhadora
O Sintrafite vai discutir com o sindicato patronal como adaptar as jornadas da categoria têxtil à redução da carga horária e ao fim da escala 6x1. No Programa Sintrafite, o presidente Altair Stofela informa que a entidade já encaminhou o diálogo para rever a cláusula 24 da Convenção Coletiva de Trabalho, que trata da compensação e da prorrogação de horário.
Ao responder às dúvidas dos trabalhadores, Altair reforça o principal ponto da conquista: a redução das horas de trabalho deve preservar o salário. “Você ganha X valor do seu salário, vai ganhar normalmente igual”, afirma.
A Emenda Constitucional 141, promulgada em 16 de outubro, prevê uma transição. Em dezembro de 2026, dois meses após a publicação, a jornada máxima passa de 44 para 42 horas semanais. Um ano depois dessa primeira redução, o limite cai para 40 horas. O salário não pode ser reduzido por causa dessa mudança.
O direito a dois dias de repouso semanal remunerado também começa na primeira etapa, conforme as regras da emenda. A organização das folgas deve respeitar o regime de trabalho e as possibilidades de negociação coletiva previstas no texto constitucional.
O que muda para quem compensa o sábado
Stofela chama atenção para quem já folga no sábado, mas ainda cumpre 44 horas por semana. Nesses casos, as horas que seriam trabalhadas no sábado são distribuídas nos demais dias. Por isso, trabalhar em cinco dias não significa, necessariamente, ter uma jornada de 40 horas.
Para quem está nessa situação, o limite de 42 horas representa duas horas a menos na semana. Quando a jornada chegar às 40 horas, a redução será de quatro horas em relação às 44 atuais, sempre com preservação salarial. A distribuição dos horários deverá acompanhar os novos limites.
“Você vai compensar menos”, resume o presidente. Ele destaca que o tempo conquistado poderá ser destinado ao descanso, ao lazer, ao bem-estar e ao convívio com a família.
“A gente já programou com o sindicato patronal para que a gente se reúna para definir a cláusula 24 da nossa Convenção, de como ela vai ficar perante a mudança que houve na Constituição Federal”, informa.
Uma conquista histórica e uma reflexão antes do voto
O presidente reconhece a contribuição dos ex-presidentes do Sintrafite e dos dirigentes que defenderam a redução da jornada ao longo das últimas décadas. “É uma conquista de muitos que já passaram por aqui, nossos ex-presidentes”, destaca.
O dirigente também se posiciona sobre a eleição presidencial e ressalta o apoio do presidente Lula à redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
“Ele sempre se manifestou direcionado na defesa da folga para esses trabalhadores e trabalhadoras ficarem mais com a família”, afirma, em referência a Lula.
Para a eleição deste domingo, 25 de outubro, o dirigente pede que a categoria considere esse histórico na escolha do próximo presidente da República. O chamado é para avaliar quem defendeu a redução da jornada e quem se posicionou contra uma mudança que amplia o tempo dos trabalhadores para viver com suas famílias.