A redução da jornada de trabalho sem redução salarial vai se tornar realidade para 250 trabalhadores da Irmãos Hort, em Brusque. O acordo coletivo firmado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Assemelhados de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento (Sintrafite) e a empresa estabelece a jornada semanal de 40 horas a partir de 1º de outubro. A proposta foi aprovada em três assembleias realizadas no dia 16 de setembro, com os trabalhadores do primeiro, segundo e terceiro turnos.
Segundo o Sintrafite, a Irmãos Hort é a segunda empresa do setor têxtil de Brusque a adotar as 40 horas semanais por meio de acordo coletivo com a entidade. A iniciativa da empresa passou por conversas com o sindicato e pela decisão dos trabalhadores antes da formalização.
O presidente do Sintrafite, Altair Stofela, e o vice-presidente, Irineu Teixeira da Cunha, conduziram as assembleias. Todas as cláusulas do acordo foram lidas e explicadas aos participantes. Ao final, cada trabalhador depositou seu voto em uma urna, com as opções de aprovar ou rejeitar a proposta.
Os 250 votos foram contabilizados na presença de uma comissão de trabalhadores e de representantes do sindicato e da empresa. Com a aprovação por ampla maioria, o acordo foi firmado.
Para Stofela, a redução da jornada representa mais tempo para descanso, lazer e convivência com a família. O presidente relata que a aprovação foi recebida com alegria pelos trabalhadores durante as assembleias e afirma que o sindicato também reconhece iniciativas empresariais que trazem benefícios à categoria.
O sócio-proprietário Júlio Hort relata que a indústria já havia reduzido a jornada de 44 para 42 horas semanais em anos anteriores, mas os funcionários ainda trabalhavam aos sábados. Conforme o empresário, a experiência permitiu manter os resultados e o faturamento, o que contribuiu para a decisão de avançar para as 40 horas semanais.
“Acredito que com essa mudança para 40 horas a gente também vai conseguir manter a mesma produção e o mesmo resultado”, afirma Júlio. O empresário associa essa expectativa ao comprometimento da equipe e à disposição dos funcionários com a mudança. “É um desafio, mas estou muito feliz com essa decisão”, acrescenta.
Na nova organização, o primeiro e o segundo turnos terão expediente de segunda a sexta-feira. O terceiro turno encerrará a semana às 7h30 de sábado. A indústria retomará as atividades às 5h de segunda-feira, com o início do primeiro turno.
O acordo terá vigência de 1º de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2028. O documento também estabelece intervalo de 30 minutos para alimentação e descanso nos três turnos e prevê uma nova assembleia ao fim do período, para que os trabalhadores deliberem sobre sua renovação, revisão ou encerramento.
Luta histórica pela redução da jornada
A conquista dos trabalhadores da Irmãos Hort ocorre em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, e prevê dois dias de repouso semanal remunerado. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda votação no plenário do Senado.
A redução da jornada sem redução salarial é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro e defendida há décadas pelo Sintrafite. Desde a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu a jornada máxima de 44 horas semanais, entidades sindicais reivindicam um novo avanço na redução do tempo de trabalho.
“É uma PEC necessária para todos os trabalhadores e trabalhadoras, um anseio da categoria têxtil. Há décadas o movimento sindical luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. E isso precisa acontecer para todos os trabalhadores. A empresa Irmãos Hort teve uma iniciativa que reconhecemos e aplaudimos, porém, são pouquíssimos empresários que têm essa visão para o bem-estar do trabalhador. Então precisamos avançar no Senado e votar a PEC em benefício da classe trabalhadora”, reforça Stofela.